O som analógico

O som é normalmente associado a um trem de ondas longitudinais mecânicas de pressão (Nicolau e Toledo, 1998). Significa dizer que são ondas que vibram na mesma direção de sua propagação. Estas vibrações dizem respeito às moléculas do meio, pois o som para se propagar precisa de um suporte. Uma explosão, um pico de som desagradável é considerado ruído, quando o som é produzido por uma fonte de vibração periódica, tal como um instrumento musical ou uma caixa de som, pode ser considerado musical. É importante notar que uma bomba d’água ligada emite som periodicamente, mas é desagradável, portanto uma fonte ruidosa. O som da chuva é ruído branco característico, mas sempre inspirou poetas que quiseram escuta-lo. Aqui neste trabalho, portanto, segue-se um certo pragmatismo ruído é uma coleção de ondas desorganizada, anarmônicas. O som musical é o som harmônico, resultado de um trem de ondas organizado.

É importante entender minimamente o funcionamento do instrumento último de detecção sonora de maior interesse: o ouvido humano.

As ondas sonoras entram no duto auditivo e impressionam mecanicamente um sistema de ossos, humores, cartilagens e músculos. Estas vibrações são transformadas em pulso elétrico e transmitidas ao cérebro. As impressões de som são processadas pelo cérebro e finalmente postas em cheque pela subjetividade de quem o recebe.

O ouvido humano médio registra sons entre 20 hz e 20.000 hz. Sons abaixo de 20 hz são denominados infra-sons e acima de 20.000 hz ultra-sons. Outra qualidade importante a se notar também é que a velocidade de propagação do som depende da rigidez do meio em que ele se propaga, portanto o som se propaga mais rapidamente em sólidos, líquidos e gases, nesta ordem (Por exemplo, a velocidade do ar a 15°C em diferentes materiais: Ferro 5130 m/s, Água 1450 m/s e ar 340 m/s, o projeto de uma sala de exibição tem de atentar além dos materiais utilizados, a temperatura e a umidade relativa do ar para ter um controle sobre a qualidade do som em seu interior).

Qualidades fisiológicas do som:

São três as qualidades fisiológicas do som que mais interessam na relação entre a arte e a audiência: altura, intensidade e timbre.

A altura é a qualidade que distingue os sons graves e agudos. Está relacionada com a freqüência sonora, quanto mais baixa, mais grave, quanto mais alta, mais aguda. Os tons médios são relacionados com a voz humana. A voz masculina tem entre 100 e 200 Hz e a voz feminina entre 200Hz e 400 Hz. Os sons mais agudos em uma banda, por exemplo, vem dos pratos e os mais graves dos bumbos e tímpanos. Ainda sobre altura, vale aqui definir outra medida relacionada a esta grandeza. O intervalo entre dois sons é a razão entre suas frequências. Quando o intervalo é dois, ele define uma oitava, quando ele é um ele é dito uníssono.

A intensidade sonora permite classificar a altura do som, se forte ou se fraco. Esta por sua vez se divide em intensidade física e fisiológica. A intensidade física está ligada a energia transportada pela frente de onda sonora. Uma intensidade de interesse é a necessária para “imprimir” em um ouvido médio, ou seja, existe um valor limiar inferior o qual o sistema auditivo não registra nada. A intensidade fisiológica é medida em decibéis (dB). Definida a partir de uma relação (IF= log (I/I0)) onde I e I0 são respectivamente a intensidade física a ser analisada e a intensidade inferior de impressão sonora (aproximadamente 10-12 W/m2). A intensidade do som de um piano depende da força com que o pianista toca. A curva de intensidade sonora é uma curva de saturação, alguns valores médios característicos de som ambiente podem servir para uma melhor compreensão: o som em uma igreja do interior de madrugada é em torno de 20 dB, o som de uma conversa em torno de 50 dB, o som de tráfego entre 70 e 90 dB, uma britadeira em torno de 100 dB, uma pista de dança 110 dB e a turbina de um jato 140 dB. Pesquisas recentes confirmam que a exposição cotidiana a um espectro sonoro de fundo em ambientes em torno de 80 dB causam problemas tanto físicos quanto psicológicos sérios. A exposição a sons de 120 dB já transforma a sensação auditiva em dor.

A última qualidade sonora é o timbre, qualidade que permite a distinção de mesmos sons provenientes de diferentes fontes sonoras. O timbre é a grandeza que diferencia um Stradivarius de um violino Hering. Esta distinção é devido ao fato de que na realidade o som de um instrumento musical ou caixa acústica é na realidade, resultado de uma superposição de várias vibrações. Voltando ao exemplo de um violino, tudo influencia, as madeiras, o arco, as cordas tudo contribui para uma melhor completeza sonora.

O trabalho de um luthier (artesão que produz instrumentos musicais de qualidade), um fabricante de caixas acústicas, um arquiteto ou engenheiro de som está em reconhecer os harmônicos e ressaltá-los ou anulá-los de acordo com o que se quer. A forma de uma sala determina a qualidade e a quantidade necessária de potência sonora para realizar uma boa impressão sonora.

A imagem sonora é a capacidade de se reconhecer a distribuição espacial das fontes sonoras. Para isto ocorrer tanto à captação, quanto à recepção devem viabilizar tal intento. Em uma concha acústica os instrumentos são dispostos de tal forma que a audiência perceba isto. Cordas de um lado, madeiras e metais de outro, ao fundo a percussão e a frente o solista. Perceber isto só é possível devido à utilização de mais de um microfone mono ou de um microfone estéreo. A reprodução desta gravação reproduzirá esta imagem sonora, caso respeite distância e distribuição de caixas acústicas de qualidade de altura, intensidade e timbre.

Texto de Túlio Bambino.

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