Review do amplificador integrado Hegel H-360 pela AVMAG • Áudio Vídeo Magazine

Por Fernando Andrette.

Para os novos leitores que começam a ”vislumbrar” o potencial de se ouvir em equipamentos com a melhor fidelidade que a tecnologia hoje disponibiliza, sugiro também a leitura do teste do modelo H300 da Hegel, que publicamos na edição 209. Lá eu conto um pouco da história deste importante fabricante de áudio hi-end norueguês e da incrível trajetória de Bent Holter, fundador e principal projetista da empresa, que utilizou seu Mestrado em Física de Semicondutores para desenvolver uma topologia revolucionária. Eu mesmo me fiz a pergunta ao receber o H360 para teste: “O que esses caras fizeram de diferente, para substituir um produto tão consagrado como o H300?”.

Antes de ouvir o que a própria Hegel tinha a falar, coloquei-o para uma primeira audição (como faço com todos os produtos que recebemos para teste). No hi-end, aquela máxima do “que fica é a primeira impressão” não deve ser levada muito à sério, pois a rodagem (queima) pode trazer muitas conclusões, boas e ruins! Mas, é fundamental essa primeira audição, para sabermos exatamente de que patamar o produto em teste já sai.

Como possuo todas as anotações dos produtos por nós testados, lá fui eu buscar o arquivo do H300, separar os discos utilizados naquela seção e passei a ouvir o H360. Antes de falar sobre essas impressões, vamos ao que o fabricante diz dessa nova versão. Ele manteve os mesmos 250 Watts em 8 ohms por canal (420 watts em 4 ohms), porém com uma astronômica diferença no fator de amortecimento, que no H300 era de 1.000 e agora é de 4.000! Em termos de design nada mudou, nem o tamanho do gabinete e nem tão pouco o visual simples com dois botões grandes de cada lado e o painel no meio. O botão de liga/desliga também continua em baixo do gabinete (é preciso tatear a mão para achá-lo: fica bem no meio do aparelho, bem na frente).

Voltando às especificações técnicas, com esse novo fator de amortecimento a Hegel se gaba de conseguir conduzir a mais ampla gama de caixas acústicas existente no mercado. O H360 manteve as mesmas entradas de linha (1 RCA, 1XLR) e uma entrada para Home que também pode ser configurada internamente para mais uma entrada normal RCA. No que a Hegel investiu pesado nesta nova versão do H300 foi em um novo DAC onboard, capaz de suportar arquivos PCM 24-bit/192kHz e modo nativo DSD64 e DSD128 via USB – e os engenheiros disponibilizaram no H360 um transformador separado só para o DAC. E todas possíveis entradas digitais (exceto uma AES/EBU, que particularmente acho uma pena a Hegel não disponibilizar).

O H360 também suporta AirPlay sem fio da Apple e pode funcionar com um streamer/renderizador de mídia digital DLNA para que o usuário possa conectar um dispositivo de armazenamento conectado à rede (NAS), que também é compatível com UPnP / DNLA através de um roteador local. Na parte analógica o H360 tem algumas diferenças significativas em relação ao H300. Sua tecnologia patenteada SoundEngine foi atualizada e muitos dos avanços do power top de linha, o H30, foram aplicados no H360. A tecnologia SoundEngine não utiliza realimentação, ajusta a polarização dos transistores de saída para acomodar as condições de temperatura em constante mudança (dependendo da flutuação do sinal) ao invés de estabelecer uma polarização fixa para as condições mais usuais. O pré-amplificador utiliza seu próprio transformador, para manter o ruído de fundo o mais baixo possível.

O H360 foi ligado direto em nosso sistema de referência, substituindo o power H30 e o pré Dan D’Agostino. A fonte digital foi o dCS Scarlatti (completo) e depois somente o transporte Scarlatti, para avaliação do DAC interno do H360. As caixas acústicas utilizadas foram: Emotiva T1, Dynaudio Emit M20 e Kharma Exquisite Midi. Cabos de interconexão: Sax Soul Ágata (XLR e RCA), Kubala-Sosna Elation (RCA) e Timeless Audio Amati (RCA). Cabos de força: Transparent PowerLink MM2 e Definitive da Sunrise Lab. Cabos de caixa Transparent Reference XL MM2 (na caixa Kharma) e QED Signature nas demais caixas. Fonte analógica: toca-discos Air Tight, braço SME Series V, cápsula Air Tight PC-1 Supreme, pré de phono Tom Evans Groove+. Cabo de interconexão: Sax Soul Ágata (RCA).

Seguindo à risca a audição dos mesmos discos e faixas usados nas primeiras impressões do H300, duas coisas nos pareceram evidentes: o silêncio de fundo do H360 e o seu controle das caixas acústicas. Seguimos, após a primeira audição, os mesmos passos de amaciamento do H300. Cem horas de queima e depois nova rodada de audições. O H360 é extremamente musical desde o momento que sai da embalagem. Porém como todo excepcional produto hi-end, o amaciamento lhe faz muito bem.

Com 100 horas os extremos ganham enorme extensão, sendo possível avaliar o grau de refinamento deste amplificador. Os graves possuem enorme autoridade, energia, peso, deslocamento de ar e corpo. O H360 toca com enorme folga qualquer gênero musical em qualquer circunstância. Com 200 horas, a maior diferença se dá na
apresentação dos médios-graves, que ganha corpo e maior presença, fazendo com que o equilíbrio tonal em todo o espectro audível se encaixe. Os médios altos recuam e os agudos ganham maior extensão e melhor decaimento. Com 380 horas, o H360 não sofreu mais nenhuma alteração importante, apenas sutis e pontuais mudanças com a troca de algum cabo de interconexão ou de força. Sua compatibilidade com todos os cabos e caixas foi excelente.

Ainda que ocorram mudanças na assinatura sônica dependendo do cabo ou da configuração, essas alterações são muito sutis. O que predomina é sua assinatura sônica, que é um misto de autoridade, energia, inteligibilidade muito acima da média e um conforto auditivo supremo! Você pode passar horas e mais horas em sua companhia, ouvindo de tudo em volumes consideráveis (se sua sala e sistema permitirem) e ainda assim sair revigorado de longas audições!

→ Continua*

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